Consciente de minhas responsabilidades, guardei o papel amassado que carregava. Não importando o quanto eu andaria, o jogaria em uma lixeira.
Encontrando uma lixeira, lancei o papel em direção a ela. O papel bateu na lateral e caiu no chão.
Não me abaixei para pegá-lo. Eu já havia sido nobre o suficiente.
A consciência de minhas responsabilidades ficou no chão.
Desta mesma forma, também vejo o comportamento de muitos e muitos com relação à tolerância, à cordialidade, ao comprometimento, ao afeto, ao bem-querer, e a outros propósitos de nobreza de caráter.
O "pedacinho de papel" chega a ser levado com certa determinação enquanto tudo corre nos conformes, até o primeiro revés, ponto a partir do qual os propósitos são deitados ao chão.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
sábado, 14 de dezembro de 2013
O beijo do tempo
O Beijo do Tempo
O tempo beijou nossas faces
Com vinte longos beijos.
Nelas desenhou seus sinais.
O tempo deixou suas marcas
No corpo e na memória.
Marcas de um beijo, que não se apagam...
As do beijo do tempo.
Marcas do tempo de um beijo,
De um beijo perdido no tempo,
Esquecido...
Um beijo que o tempo apagou
E o destino redesenhou.
Rio, 19 de março de 2003
O tempo beijou nossas faces
Com vinte longos beijos.
Nelas desenhou seus sinais.
O tempo deixou suas marcas
No corpo e na memória.
Marcas de um beijo, que não se apagam...
As do beijo do tempo.
Marcas do tempo de um beijo,
De um beijo perdido no tempo,
Esquecido...
Um beijo que o tempo apagou
E o destino redesenhou.
Rio, 19 de março de 2003
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Te quero
Te quero
Te quero mais do que mereces
Te quero mais do que precisas que te queira
Te quero por não te haver tido
Te quero por não ter tido
Te quero por tê-la querido muito
Te quero por não saber querer outra e porque quero uma mulher
Quero o que significas
Não te quero
Rio de janeiro, 10 de março de 2003
Te quero mais do que mereces
Te quero mais do que precisas que te queira
Te quero por não te haver tido
Te quero por não ter tido
Te quero por tê-la querido muito
Te quero por não saber querer outra e porque quero uma mulher
Quero o que significas
Não te quero
Rio de janeiro, 10 de março de 2003
Carta cardiografada
Carta
Como quem psicografa, num dia de setembro de 2005, na impossibilidade de um certo coraçãozinho se expressar, cardiografei esta carta. Dele, para seus pais. Não sei se o meu coração guiou minha mão em real sintonia com o dele...
Vivo uma fase extremamente importante da minha vida. Equilibro-me no fio divisor de sentir a vida com fortuna ou com infortúnio. Para o lado que tombar, nesta fase, tombará meu destino, e se o infortúnio me sorrir, enfrentarei muita dificuldade para cruzar esta linha novamente, quando, e se um dia, conseguir.
De alguma forma sei disto desestruturadamente, como desestruturado estou, e nesta desestruturação natural desta fase da minha vida, sofro com a ambivalência sentimental que esta situação me impôs: meus ídolos adorados e necessários, que optaram por que eu vivesse, são os meus algozes. Fustigaram e fustigam meu coração, negando-me o que mais me importa... Se optaram por mim, a vida, porquê a maltratam?!?!
Não me peçam para que eu entenda, e muito menos que eu aceite! Esta responsabilidade não me cabe! Porque nem justo seria pedir-me isto. Não estou, e nem deveria estar, apto a isto. Não me peçam para resolver o que nem vocês foram capazes de lidar sem muito sofrimento. O sofrimento cabe a vocês, não a mim, que nada pedi.
Como quem psicografa, num dia de setembro de 2005, na impossibilidade de um certo coraçãozinho se expressar, cardiografei esta carta. Dele, para seus pais. Não sei se o meu coração guiou minha mão em real sintonia com o dele...
Vivo uma fase extremamente importante da minha vida. Equilibro-me no fio divisor de sentir a vida com fortuna ou com infortúnio. Para o lado que tombar, nesta fase, tombará meu destino, e se o infortúnio me sorrir, enfrentarei muita dificuldade para cruzar esta linha novamente, quando, e se um dia, conseguir.
De alguma forma sei disto desestruturadamente, como desestruturado estou, e nesta desestruturação natural desta fase da minha vida, sofro com a ambivalência sentimental que esta situação me impôs: meus ídolos adorados e necessários, que optaram por que eu vivesse, são os meus algozes. Fustigaram e fustigam meu coração, negando-me o que mais me importa... Se optaram por mim, a vida, porquê a maltratam?!?!
Não me peçam para que eu entenda, e muito menos que eu aceite! Esta responsabilidade não me cabe! Porque nem justo seria pedir-me isto. Não estou, e nem deveria estar, apto a isto. Não me peçam para resolver o que nem vocês foram capazes de lidar sem muito sofrimento. O sofrimento cabe a vocês, não a mim, que nada pedi.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Grades
Grades
São grandes as grades,
Grandes os homens.
Grande os espaços dos homens sem grade.
São grandes cercas, isso são.
São grandes presos, isso não.
O espaço não passa das grades.
Os homens não passam das grades.
As grades não passam de grades.
Aperte o espaço,
Aperte as grades.
O homem não pára, não é sufocado.
São grandes os espaços dos homens sem grades.
09 de maio de 1976
0 horas e 30 minutos
Então, com 17 anos de idade
São grandes as grades,
Grandes os homens.
Grande os espaços dos homens sem grade.
São grandes cercas, isso são.
São grandes presos, isso não.
O espaço não passa das grades.
Os homens não passam das grades.
As grades não passam de grades.
Aperte o espaço,
Aperte as grades.
O homem não pára, não é sufocado.
São grandes os espaços dos homens sem grades.
09 de maio de 1976
0 horas e 30 minutos
Então, com 17 anos de idade
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Onde mora a consciência de mim mesmo
Onde eu moro, há um cantinho meu, organizado. Meus documentos (obrigatórios), os manuais de quase tudo que comprei e ainda tenho, as ferramentas...
Antes de mudar de casa, lá, nesse cantinho, não muito organizados, em sacos onde eu sabia onde estavam, também estavam as minhas recordações.
Onde mora a consciência de mim mesmo, tem um cantinho organizado.
Este meu cantinho organizado me deu onde eu me segurar, e não ter sido levado para o caos, quando eu mudei.
Antes da mudança, eu sabia onde estavam as minhas recordações (ao menos onde estavam os sacos que as continham).
Assentada a mudança, tenho que buscar as recordações (mesmo que as mantenha fechadas em sacos).
Eu não as perdi. Estão em algum lugar em onde moro.
domingo, 1 de dezembro de 2013
O ovo escorre
Quebra a casca.
Trinca... Lasca...
Nem nasce e não morre.
O ovo escorre...
Por algum motivo, aquela imagem, tão despropositada, ficou na mente. Havia algo..., algo que de alguma forma o sentimento alcançou, e que a razão não conseguia transpor em palavras.
Havia um significado a explorar... Algo, que, se de alguma forma havia sido “dito” em sentimento, haveria que a razão colocasse em palavras.
Deixava no ar um cheiro de morte. Morte sem crime. Morte sem cadáver.
Como matar, se sequer nasce...? Uma charada, como que abrindo algum vestíbulo secreto na realidade, como uma pedra despropositada das paredes de um castelo, que se empurra, e que abre a passagem secreta para o que jamais se suporia, não fosse por atentar a explorar o despropositado.
Um medo das mensagens silenciosas que existam nas coisas. Medo da insuspeita influência das coisas com suas mensagens subliminares, falando diretamente ao sentimento, que em algum lugar dentro de nós se instauram e se aprisionam por não conseguirem sair pelas palavras, e que, sabemos de alguma forma, estarem dentro de nós, presos pelas grades do indizível. Medo de perder a noção dos limites do terreno da loucura, em suposições.
29 de abril de 2005?
sábado, 30 de novembro de 2013
Bem de leve
Bem de leve
O esboço tem bócio.
Olha a bossa do bócio do esboço.
O esboço tem baço.
Olha a bossa do bócio e do baço do esboço.
O esboço tem braço.
Olha a bossa do bócio, do baço e do braço do esboço.
O esboço tem beiço.
Olha a bossa do bócio, do baço, do braço e beiço do esboço.
O esboço deu um passo.
Olha a bossa do bócio, do baço, do braço, do beiço e o passo do esboço.
O esboço é esboço mesmo sem bócio, sem baço, sem braço, sem beiço e sem passo.
Mas não importa.
Isso é apenas o esboço.
E isso é que é o osso!
Pois é nesse arcabouço que se assenta com esforço todo o peso da obra.
– Puxa! Que bossa de esboço!!!
Eu, ainda tão moço, sou mesmo um colosso!!!
5 de novembro de 1976
Então, com 17 anos de idade
O esboço tem bócio.
Olha a bossa do bócio do esboço.
O esboço tem baço.
Olha a bossa do bócio e do baço do esboço.
O esboço tem braço.
Olha a bossa do bócio, do baço e do braço do esboço.
O esboço tem beiço.
Olha a bossa do bócio, do baço, do braço e beiço do esboço.
O esboço deu um passo.
Olha a bossa do bócio, do baço, do braço, do beiço e o passo do esboço.
O esboço é esboço mesmo sem bócio, sem baço, sem braço, sem beiço e sem passo.
Mas não importa.
Isso é apenas o esboço.
E isso é que é o osso!
Pois é nesse arcabouço que se assenta com esforço todo o peso da obra.
– Puxa! Que bossa de esboço!!!
Eu, ainda tão moço, sou mesmo um colosso!!!
5 de novembro de 1976
Então, com 17 anos de idade
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Entardecer em Puerto La Cruz
Entrou no restaurante.
A luz horizontal do sol do fim do dia enchia o ambiente e, dela, e de seus óculos escuros, irradiavam.
Com olhos de radar e medo do ridículo, a segui no trecho curto entre notá-la e ela tomar assento.
O brilho nos lábios lhe caíram tão bem...
Um sorriso de dar medo pelo ciume de imaginar que houvesse sido de outro.
Um grande serviço que prestou o sol no dia de hoje, foi iluminar seu rosto.
Centro comercial Plaza Mayor.
Puerto La Cruz, 12 de julho de 2008
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Arrumando o armário
Tenho que fazer "uma limpa" no meu armário!
A sensação é de estar acumulando um lixo de coisas. Não tenho muita vontade de meter a mão, mas passou do limite, e tenho, por mim mesma, que fazê-lo.
Tirar das gavetas, colocar à mostra o que ainda guardo e não uso, e decidir o que realmente quero, ou não.
Do que quero eu me desfazer, das coisas que lembram o meu passado ou que trazem uma recordação sentimental?
As roupas apertadas, eu guardo? Se guardo, com que sentido as guardarei? Ficarão como um estímulo a uma vida mais saudável? à construção de uma aparência mais atraente?
E o que eu nunca ousei vestir, ainda que sempre o quisesse? Guardo? Porque a dúvida nunca é: uso ou não uso, mas sim: me desfaço ou guardo?
E depois? O que eu realmente quero, eu encontrarei quando for repor o que me desfiz, quando for comprar roupas novas?
E, talvez o pior: no provador terei que me olhar no espelho, e ver o que eu tenho feito de mim...
A sensação é de estar acumulando um lixo de coisas. Não tenho muita vontade de meter a mão, mas passou do limite, e tenho, por mim mesma, que fazê-lo.
Tirar das gavetas, colocar à mostra o que ainda guardo e não uso, e decidir o que realmente quero, ou não.
Do que quero eu me desfazer, das coisas que lembram o meu passado ou que trazem uma recordação sentimental?
As roupas apertadas, eu guardo? Se guardo, com que sentido as guardarei? Ficarão como um estímulo a uma vida mais saudável? à construção de uma aparência mais atraente?
E o que eu nunca ousei vestir, ainda que sempre o quisesse? Guardo? Porque a dúvida nunca é: uso ou não uso, mas sim: me desfaço ou guardo?
E depois? O que eu realmente quero, eu encontrarei quando for repor o que me desfiz, quando for comprar roupas novas?
E, talvez o pior: no provador terei que me olhar no espelho, e ver o que eu tenho feito de mim...
Vem que a minha cama é tua
Vem que minha cama é tua.
Fica ao meu lado, que estarei ao teu.
Vem viver lado a lado.
Sinceros,
Abertos,
Amigos,
Verdadeiros.
Toma meu ser. Toma-lhe inteiro.
Defeitos... deficiências... mas inteiro,
com toda minha verdade,
e um querer profundo de te dar e estar sempre contigo.
Sempre, sempre.
Nos confortemos. Nos aturemos, mas juntos.
Que procuremos nossos pés à noite.
Que haja o conforto e a profunda satisfação de termos um ao outro.
Deito a cabeça em teu colo, seja ele almofada, seja guilhotina, sem questionar o momento futuro, porque quando me deres afeto, ele é pessoal, porque quando me usares, é por anseio genuíno.
Que saibamos esperar pelo outro.
Que não seja tentador alcançar nada sós, sem que o outro assinta gentilmente. Juntos, de alguma forma, quando nos desatarmos, por generosidade, por concessão feliz, por saber da felicidade do outro.
Que a paz da certeza de nós dois seja a fonte de toda liberdade e de toda ausência.
Que as desavenças nunca superem a certeza de que a vida juntos é melhor.
Sejamos alento aos dissabores. Quero tremer meu nervoso no teu abraço, no teu afago, no teu silêncio, quando não houver a dizer e se ouvir.
Que seja porto. Que seja certo. Que seja humano. Que seja nobre. Que valha a razão. Que fale o afeto e o respeito. Que seja bom, mesmo quando não o for, porque o passado nos atesta e porque o futuro juntos é o que queremos sonhar e fazer.
(Que o alento me envolva esta noite. Que a esperança possa envolver meu coração. Seja lá o que dentro dele haja, de esperança ele possa estar envolto)
Rio de janeiro, 2 de maio de 2005.
Fica ao meu lado, que estarei ao teu.
Vem viver lado a lado.
Sinceros,
Abertos,
Amigos,
Verdadeiros.
Toma meu ser. Toma-lhe inteiro.
Defeitos... deficiências... mas inteiro,
com toda minha verdade,
e um querer profundo de te dar e estar sempre contigo.
Sempre, sempre.
Nos confortemos. Nos aturemos, mas juntos.
Que procuremos nossos pés à noite.
Que haja o conforto e a profunda satisfação de termos um ao outro.
Deito a cabeça em teu colo, seja ele almofada, seja guilhotina, sem questionar o momento futuro, porque quando me deres afeto, ele é pessoal, porque quando me usares, é por anseio genuíno.
Que saibamos esperar pelo outro.
Que não seja tentador alcançar nada sós, sem que o outro assinta gentilmente. Juntos, de alguma forma, quando nos desatarmos, por generosidade, por concessão feliz, por saber da felicidade do outro.
Que a paz da certeza de nós dois seja a fonte de toda liberdade e de toda ausência.
Que as desavenças nunca superem a certeza de que a vida juntos é melhor.
Sejamos alento aos dissabores. Quero tremer meu nervoso no teu abraço, no teu afago, no teu silêncio, quando não houver a dizer e se ouvir.
Que seja porto. Que seja certo. Que seja humano. Que seja nobre. Que valha a razão. Que fale o afeto e o respeito. Que seja bom, mesmo quando não o for, porque o passado nos atesta e porque o futuro juntos é o que queremos sonhar e fazer.
(Que o alento me envolva esta noite. Que a esperança possa envolver meu coração. Seja lá o que dentro dele haja, de esperança ele possa estar envolto)
Rio de janeiro, 2 de maio de 2005.
Sozinhez
Sozinhez
Me sinto, cada vez mais sem qualquer alternativa que não seja por mim mesmo, o que de alguma forma sempre relutei em admitir ou aceitar.
A sensação que tenho é que preciso mais do outro, que os outros. Ou, de outra forma, os outros, de alguma maneira, aprendida mesmo sem saber que aprenderam, aprenderam que a única alternativa, é por nós mesmos, e que os outros servem quando não precisamos mais de nós mesmos.
Rio de Janeiro, 28 de Abril de 2005
Me sinto, cada vez mais sem qualquer alternativa que não seja por mim mesmo, o que de alguma forma sempre relutei em admitir ou aceitar.
A sensação que tenho é que preciso mais do outro, que os outros. Ou, de outra forma, os outros, de alguma maneira, aprendida mesmo sem saber que aprenderam, aprenderam que a única alternativa, é por nós mesmos, e que os outros servem quando não precisamos mais de nós mesmos.
Rio de Janeiro, 28 de Abril de 2005
domingo, 24 de novembro de 2013
Momentos de carência
Quando os momentos de carência afetiva são intensos, uso a imaginação e as mãos... ... para escrever poesia.
16 novembro 2013
16 novembro 2013
Visita
Visita
Quando a situação acomodou-se à minha presença, e as ações discretas se misturarão ao conjunto mal ordenado das atitudes fortuitas, dou-me lançar o olhar por um instante, e vejo uma mulher envelhecida.
Tento, neste relance, imaginar, tal como um restituir a alma a um corpo sem vida, sendo a alma, neste caso, o afeto e o desejo. Não consigo ver o que jaz além de uma mulher envelhecida.
Não me dou conta, e somente agora percebo, uma sensação, tal como se abstrai das mortes quando se caminha em um cemitério. Não permito-me lembrar do que foi sepultado vivo.
Placas de cimento cobrem as sepulturas e elas cumprem suas funções. Não quero ver o fruto decomposto que guardam.
17 de Outubro de 2005
Quando a situação acomodou-se à minha presença, e as ações discretas se misturarão ao conjunto mal ordenado das atitudes fortuitas, dou-me lançar o olhar por um instante, e vejo uma mulher envelhecida.
Tento, neste relance, imaginar, tal como um restituir a alma a um corpo sem vida, sendo a alma, neste caso, o afeto e o desejo. Não consigo ver o que jaz além de uma mulher envelhecida.
Não me dou conta, e somente agora percebo, uma sensação, tal como se abstrai das mortes quando se caminha em um cemitério. Não permito-me lembrar do que foi sepultado vivo.
Placas de cimento cobrem as sepulturas e elas cumprem suas funções. Não quero ver o fruto decomposto que guardam.
17 de Outubro de 2005
Coisas do baú
No meu baú digital de escritos encontrei vários textos antigos. Textos que eu pensava em manter guardados, mas que agora tenho pensado de maneira diferente...
Mas antes de publicá-los gostaria de trocar umas palavras com os que se dispuserem a ler (aos quais agradeço a deferência).
O primeiro pensamento em contrário a publicá-los, é há muitos textos de muita tristeza. Quanto a isto, me sinto (ou sentia, se já superei este sentimento) um temor da imagem que eu esteja passando de mim.
A predominância de textos tristes está (também?) relacionada como fato de que nos momentos mais difíceis da minha vida, a mão que eu estendo a mim, é por-me a escrever. Lembro de Fernando Pessoa:"... a metafísica é uma consequência de estar mal disposto". Nos momentos de calmaria ou felicidade eu não normalmente não escrevo. Como canta Gal Costa: "Quando a gente está contente, nem pensar que está contente a gente quer, a gente quer é viver."
Penso também em qual o sentido de publicar coisas tristes... Novamente lembro de Pessoa, quando ele "conversa com alguém que se cansou de viver": "... se te cansa seres, Ah..., cansa-te nobremente, e não cantes, como eu, a vida por bebedeira. Não saúdes como eu a morte em literatura!". Em meus pensamentos, concluo que se cantar a tristeza fosse algo mau, a grande maioria dos poetas seriam abomináveis e uma grande parte do que se considera arte deveria ser banida.
O último argumento que me faz afastar estes meus temores do julgamento alheio, é que os que leem o que eu escrevo deveriam fazê-lo por interesse ao que é dito e não para julgar quem o diz.
Uma segunda trava é a revelação de intimidades. Decidi não me importar com isto. Publicá-las talvez possa fazer mais bem aos leitores, que mal a mim e às coadjuvantes das intimidades, que talvez possam ser identificados pelos que me conhecem pessoalmente.
Outros dois receios, são o de meu amor se entristecer por eu falar de outros amores (fica, então, aqui, esta menção em sinal de zelo), e que certos dois coraçõeszinhos tenham amadurecido o suficiente para entender o que venham a ler.
Não queria prosseguir sem ter feito estas ressalvas.
Mas antes de publicá-los gostaria de trocar umas palavras com os que se dispuserem a ler (aos quais agradeço a deferência).
O primeiro pensamento em contrário a publicá-los, é há muitos textos de muita tristeza. Quanto a isto, me sinto (ou sentia, se já superei este sentimento) um temor da imagem que eu esteja passando de mim.
A predominância de textos tristes está (também?) relacionada como fato de que nos momentos mais difíceis da minha vida, a mão que eu estendo a mim, é por-me a escrever. Lembro de Fernando Pessoa:"... a metafísica é uma consequência de estar mal disposto". Nos momentos de calmaria ou felicidade eu não normalmente não escrevo. Como canta Gal Costa: "Quando a gente está contente, nem pensar que está contente a gente quer, a gente quer é viver."
Penso também em qual o sentido de publicar coisas tristes... Novamente lembro de Pessoa, quando ele "conversa com alguém que se cansou de viver": "... se te cansa seres, Ah..., cansa-te nobremente, e não cantes, como eu, a vida por bebedeira. Não saúdes como eu a morte em literatura!". Em meus pensamentos, concluo que se cantar a tristeza fosse algo mau, a grande maioria dos poetas seriam abomináveis e uma grande parte do que se considera arte deveria ser banida.
O último argumento que me faz afastar estes meus temores do julgamento alheio, é que os que leem o que eu escrevo deveriam fazê-lo por interesse ao que é dito e não para julgar quem o diz.
Uma segunda trava é a revelação de intimidades. Decidi não me importar com isto. Publicá-las talvez possa fazer mais bem aos leitores, que mal a mim e às coadjuvantes das intimidades, que talvez possam ser identificados pelos que me conhecem pessoalmente.
Outros dois receios, são o de meu amor se entristecer por eu falar de outros amores (fica, então, aqui, esta menção em sinal de zelo), e que certos dois coraçõeszinhos tenham amadurecido o suficiente para entender o que venham a ler.
Não queria prosseguir sem ter feito estas ressalvas.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Sempre alerta
Eu tenho que estar ligada. Desperta e alerta quando o sol levanta. Quando as lojas estão abertas. Quando a gente está nas ruas. Quando há o que resolver.
Alerta aos perigos. E o perigo é a morte. E a noite é a morte. É solidão. É confronto comigo mesma. De noite nada se resolve.
Alerta aos perigos. E o perigo é a morte. E a noite é a morte. É solidão. É confronto comigo mesma. De noite nada se resolve.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Texto do Veríssimo
Infância é
quando você clama
que tem um monstro
embaixo da cama.
A juventude
traz a razão
o bom senso
e a ciência,
e a meia-idade
a sapiência
que toda
tolice nega.
Velhice é
quando o monstro
sai debaixo da cama
e te pega.
Luiz Fernando Veríssimo
quando você clama
que tem um monstro
embaixo da cama.
A juventude
traz a razão
o bom senso
e a ciência,
e a meia-idade
a sapiência
que toda
tolice nega.
Velhice é
quando o monstro
sai debaixo da cama
e te pega.
Luiz Fernando Veríssimo
Pássaro que lanço da gaiola do tempo
Pássaro que lanço da gaiola do tempo rumo aonde não vou chegar.
Ensino o caminho que não vou trilhar.
Solto o coração que parte junto, segue além.
(Quantos nos precederam?)
(Quantos nos sucederão?)
Vai Filha!
Segue teu destino!
Pousa além do meu horizonte!
Voa!
Somos pássaros lançados das frestas do tempo, rumo ao futuro.
Leva este bilhete num rolinho ao pé, para lembrares de mim.
26 de Fevereiro de 1994 (alterado em 2001)
Ensino o caminho que não vou trilhar.
Solto o coração que parte junto, segue além.
(Quantos nos precederam?)
(Quantos nos sucederão?)
Vai Filha!
Segue teu destino!
Pousa além do meu horizonte!
Voa!
Somos pássaros lançados das frestas do tempo, rumo ao futuro.
Leva este bilhete num rolinho ao pé, para lembrares de mim.
26 de Fevereiro de 1994 (alterado em 2001)
domingo, 17 de novembro de 2013
Quando se da verdadeiramente
Quando se dá verdadeiramente
Quando se dá verdadeiramente, perde-se o controle do que foi dado. Passa a ser do outro, posto que foi dado verdadeiramente. Reside ai o medo de dar: transfere-se a propriedade para o outro.
Quando se dá de si mesmo, entrega-se a propriedade de sua própria vida, quanto ao que dela se deu. Perde-se o controle daquilo que se deu de si mesmo. Não rejeitar o descontrole é parte da essência do dar verdadeiro.
O respeito e o zelo quanto ao que foi dado depende exclusivamente de quem recebeu. O risco é parte da essência do dar verdadeiro.
Aceitar o risco...
Admitir o descontrole...
Confiar...
Conseguir acolher o prazer da entrega...
Desprender-se...
Dar pelo prazer de que o outro possua aquilo que será capaz de transformar no que a endogamia de nossa lógica não seja capaz, ou simplesmente dar pelo prazer da entrega, pelo significado maior que se queira conferir a alguém.
A vida que com alguém se partilhou, foi, a esse outro, dada. Partilhar a vida é algo que o tempo se encarrega de entregar ao outro. Entrega-se, de alguma forma, ao outro, quando menos, sua própria história.
Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 2003.
Quando se dá verdadeiramente, perde-se o controle do que foi dado. Passa a ser do outro, posto que foi dado verdadeiramente. Reside ai o medo de dar: transfere-se a propriedade para o outro.
Quando se dá de si mesmo, entrega-se a propriedade de sua própria vida, quanto ao que dela se deu. Perde-se o controle daquilo que se deu de si mesmo. Não rejeitar o descontrole é parte da essência do dar verdadeiro.
O respeito e o zelo quanto ao que foi dado depende exclusivamente de quem recebeu. O risco é parte da essência do dar verdadeiro.
Aceitar o risco...
Admitir o descontrole...
Confiar...
Conseguir acolher o prazer da entrega...
Desprender-se...
Dar pelo prazer de que o outro possua aquilo que será capaz de transformar no que a endogamia de nossa lógica não seja capaz, ou simplesmente dar pelo prazer da entrega, pelo significado maior que se queira conferir a alguém.
A vida que com alguém se partilhou, foi, a esse outro, dada. Partilhar a vida é algo que o tempo se encarrega de entregar ao outro. Entrega-se, de alguma forma, ao outro, quando menos, sua própria história.
Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 2003.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Vem, morte
Vem, morte
Vem morte! Mata o sofrimento!
Assume o vazio e a falta de sentido de tudo.
Que me leve junto, mas se for para um fim definitivo.
Mas como nada finda ou começa absolutamente, não creio nem na morte.
4 de março de 2005
Vem morte! Mata o sofrimento!
Assume o vazio e a falta de sentido de tudo.
Que me leve junto, mas se for para um fim definitivo.
Mas como nada finda ou começa absolutamente, não creio nem na morte.
4 de março de 2005
Tenho chorado à toa
Tenho chorado à toa
Tenho chorado à toa
Estou à flor da pele
Nossa, como choro!
Tudo me comove
Choro de emoção
Não de tristeza
Não estou triste
Há uma melancolia
Choro a emoção de ser intensamente
Rio de janeiro, 15 janeiro 2003.
Queria ser feliz
Queria ser feliz.
Se não fosse possível ser feliz hoje, queria ter lembranças de um passado que não vivi.
Queria que o passado fosse fonte de saudades: saudades de boas alegrias.
Queria poder ficar hoje pensando em coisas boas nas horas vagas...
Queria lembrar das mulheres que teria tido, amadas ou comidas, como deveriam ter sido: intensamente, inquestionavelmente, irresponsavelmente, prazeirosamente, mas de algum modo saudosamente memorável.
Queria poder lembrar o quanto gozei intensamente. O quanto me dei ao prazer intensamente, sem questionamentos.
Pensar numa infância feliz, ter saudade daquelas alegrias infantis, intensas ao modo delas... Imagino que crianças felizes vivam intensamente os momentos felizes, as fases felizes... Mesmo que não sejam crianças que tenham lembranças felizes da vida em família (dos pais, dos irmãos), que sejam crianças que tenham lembranças felizes dos amigos da rua, do futebol, das brincadeiras...
Queria ter lembranças verdadeiramente boas da minha infância.
Queria que as minhas lembranças pudessem abastecer o alento de um futuro gozoso e fossem fonte de uma procura, hoje, deliciosa.
Não precisavam ser alegrias sem reparos, mas que fossem fonte de saudade.
Queria ter sido feliz...
Hoje, nas horas vagas, tento simular a possibilidade um passado imaginado, afastando o sentimento de amargura do que não foi, pensando no que poderia ter sido, para tentar um futuro que, no futuro, seja fonte de saudade.
Houston, 3 de fevereiro de 2003.
Se não fosse possível ser feliz hoje, queria ter lembranças de um passado que não vivi.
Queria que o passado fosse fonte de saudades: saudades de boas alegrias.
Queria poder ficar hoje pensando em coisas boas nas horas vagas...
Queria lembrar das mulheres que teria tido, amadas ou comidas, como deveriam ter sido: intensamente, inquestionavelmente, irresponsavelmente, prazeirosamente, mas de algum modo saudosamente memorável.
Queria poder lembrar o quanto gozei intensamente. O quanto me dei ao prazer intensamente, sem questionamentos.
Pensar numa infância feliz, ter saudade daquelas alegrias infantis, intensas ao modo delas... Imagino que crianças felizes vivam intensamente os momentos felizes, as fases felizes... Mesmo que não sejam crianças que tenham lembranças felizes da vida em família (dos pais, dos irmãos), que sejam crianças que tenham lembranças felizes dos amigos da rua, do futebol, das brincadeiras...
Queria ter lembranças verdadeiramente boas da minha infância.
Queria que as minhas lembranças pudessem abastecer o alento de um futuro gozoso e fossem fonte de uma procura, hoje, deliciosa.
Não precisavam ser alegrias sem reparos, mas que fossem fonte de saudade.
Queria ter sido feliz...
Hoje, nas horas vagas, tento simular a possibilidade um passado imaginado, afastando o sentimento de amargura do que não foi, pensando no que poderia ter sido, para tentar um futuro que, no futuro, seja fonte de saudade.
Houston, 3 de fevereiro de 2003.
Posso te ligar?
Posso te ligar mais tarde?
Posso não te ligar mais tarde?
Posso não te ligar mais nunca?
Posso não te ligar? Nunca mais...
Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2003.
Posso não te ligar mais tarde?
Posso não te ligar mais nunca?
Posso não te ligar? Nunca mais...
Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2003.
Se perdesse o sentido existir
Se perdesse o sentido existir,
Se por mim não quisesse mais viver,
Quando o mais nobre gesto
Fosse dar minha vida a alguém,
Eu daria a você.
Quem mais me amou,
Mais desejou.
Fui o centro,
O porquê.
Se por mim não quisesse mais viver,
Quando o mais nobre gesto
Fosse dar minha vida a alguém,
Eu daria a você.
Quem mais me amou,
Mais desejou.
Fui o centro,
O porquê.
2 de novembro de 2003
Gênesis 2
Gênesis 2
22 E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão.
23 E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.
24 Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.
Selecionado em 6 de março de 2005
22 E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão.
23 E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.
24 Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.
Selecionado em 6 de março de 2005
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Chegamos ao ano 2000
Chegamos
ao ano 2000
(Escrito para, e lido na, reunião de família que fizemos dias depois do dia 31 de dezembro)
Chegamos
ao ano 2000. Comemorou-se isto à meia noite do dia 31 de dezembro
passado. Ou deveria ter sido à 1 hora da manhã por causa do horário
de verão?
Duas
mil voltas completas da Terra em torno do Sol desde que Cristo
nasceu. Em que momento, nosso grãozinho nave mãe completou as 2000
voltas? Há 2000 ou 2004 anos atrás? Deveríamos ter celebrado há
nove dias, ou neste momento?
Rigorosamente
não importa.
A
vida, uma vez superado o patamar da sobrevivência material, ponto a
partir do qual nada é rigorosamente necessário, se orienta através
de símbolos.
Quanto
à nossa sobrevivência física, não escolhemos o que temos que
fazer para mantê-la, contudo, uma vez vivos, influenciamos o curso da
vida conforme os símbolos que construímos e cultuamos. Quanto mais
ricos os símbolos, e quanto mais fortemente compartilhados, mais
rica a vida.
Chamo
a todos, para que aqui, e neste momento, elevemos os nossos corações,
para celebrar, para elaborar um símbolo importante: “a chegada do
ano 2000”, através de outro mais importante: “a família” –
“o reveillon da nossa família”.
Não
o pudemos fazer no momento em que todos o fizeram, mas este momento é
para mim tão forte quanto aquele em que os fogos desenhavam o céu,
e eu elevei meu pensamento para a minha família, para o nosso
passado, para a memória de papai, e imaginei que o desejo de todos
nós era esta estarmos juntos, inclusive com ele.
Celebramos
o símbolo do marco do ano 2000. O símbolo do início de uma nova
era, de uma era na qual não boiamos imponderáveis em uma nave
espacial, como imaginávamos. O símbolo de um ponto que foi tão
distante no tempo, e que de repente chegou. Chegou tão rápido
quanto a vida passa, deixando a sensação muito distante do tempo em
que vivíamos sob um mesmo teto, numa família.
Buscando
interpretar os tempos de agora, talvez se possa dizer que celebramos
o rompimento de uma barreira simbólica no tempo, rumo a um novo
tempo, no qual o ser humano surpreenderá a si próprio com o que
será capaz de fazer materialmente. O que estiver na cabeça das
pessoas é o que possivelmente acontecerá, aliás o século 20
provou isto ao 19. Senão tanto, celebramos ao menos termos
sobrevivido ao futuro (ou ao símbolo coletivo dele).
Como
o futuro é tão perto, e o passado tão distante ... é como se na
escala do tempo, um metro para trás fosse maior do que um metro para
frente ...
Me
lembro da foto preto e branco, colada hoje na porte da minha
geladeira ... magrinho, pequenino, de camisa do Botafogo (a final de
contas nossa família adotou este símbolo, e eu me orgulhava disto),
sandália franciscana, e a tão criticada meia branca.
Lembro-me
da foto da Ana, tentando segurar aquela imensa bola de basquete, em
Petrópolis ... d’aquela foto com os rostinhos do Sérgio, do Beto
e do Duda, que sempre esteve no quarto de nossos pais.
Mamãe
cruzou o tempo irradiando o carinho que tanto me equilibrou.
Neste
momento, reunido em família, nesta confraternização, confluímos
dois ícones fortíssimos: o do passado e o do futuro. Me alegro por
ter esta oportunidade, por este reencontro, por este repensar. E se
na noite do dia 31 felizmente pude estar com meu irmão Roberto e sua
família, hoje posso estar com todos, com muita intensidade, como se
hoje fosse o antes, no amplo sentido deste paradoxo.
Para
terminar, é importante ser mencionado novamente, que infelizmente,
sentimos a ausência do convidado de honra desta festa. Ele que
sempre sonhou com esta data, que mais faria questão de nos ver
reunidos, e que nos manteve, de uma forma ou de outra, unidos até
então.
Pai,
esteja em paz onde estiver. Nós o amamos. Feliz eternidade!
Mamãe,
irmãos e sobrinhos, feliz ano 2000!
sábado, 9 de novembro de 2013
Conversa
- Pôxa... você só fala das coisas erradas que eu faço...?
- Em todos os nossos relacionamentos estabelecemos pactos. O que um amigo meu chama de "normas de convivência".
Nestes pactos se estabelecem expectativas mínimas. Como, por exemplo: guardar a garrafa de água de volta na geladeira.
Podemos, eventualmente, esquecer de guardá-la, mas isto somente é aceitável quando é eventualmente. Quando isto passa a ser frequente, eu tenho que reclamar sempre que acontece.
Assim como há coisas que não são aceitáveis que aconteçam nenhuma vez, e eu também tenho que reclamar sempre que elas acontecem.
Em meu trabalho, por exemplo, eu tenho que cumprir com certas exigências mínimas. Posso ter feito tudo certo, mas se eu não cumprir com estas tais exigências, o meu trabalho não foi bem feito....
- Mas... pôxa... Não podemos mudar isto?!?! O mundo assim é muito chato!!!
- Como disse, sempre estaremos ligados um pacto. Podemos renegociá-lo. Volta e meia, estamos renegociando nossos pactos. Mas sempre existirão limites. Limites que nós mesmos também exigimos quando os afetados somos nós.
Imagine que você contrate um tradutor, e esse tradutor nunca traduza totalmente bem o textos que você dá a ele. Você não procuraria outro tradutor? Ou, digamos que você contrate um advogado para defender uma causa sua, e esse advogado, com frequência, não compareça às audiências. Você o manteria, ou trocaria por um outro?
- Mas e se o carro do advogado capotar, ou outra coisa grave aconteça?
- Estes são os chamados "motivos de força maior". Nos contratos, que são uma forma clássica de se estabelecerem pactos, sempre existe uma cláusula de força maior. Isto, porque é de entendimento geral que, nestes casos, não podemos julgar os rompimentos do pacto da mesma forma que em condições normais. Então estes casos são tratados diferentemente. Seria desumano se não o fossem.
Pois bem... Você está aprendendo violão. É muito legal isto. Claro que eventualmente, ou frequentemente, você comete erros. Como forma de lazer: maravilha! Mas se você quiser tocar numa banda, você simplesmente não pode errar! Ninguém quer pagar para ouvir uma música tocada mais ou menos. Você pagaria?
Então, se você quer tocar na banda tem que se dedicar muito ao violão. Simplesmente, não há alternativa. Não há como pensar que isto possa ser diferente, não? Esta exigência não é desumana. Simplesmente "é" assim, e eu não vejo como mudar este "pacto".
Na matemática, você pode errar um sinal de menos, mas não deveria levar o ponto completo da questão. Afinal de contas, o jogo é jogado com esta regra. Dá para se equivocar num sinal de menos? Dá... Mas não dá para esquecer o sinal de menos em 40%, 50%, ou mais das questões. Aí, simplesmente não é aceitável.
Quando a escola te cobra isto, ela não está criando um ambiente artificial de "chatices dos estudos". A escola está te cobrando o que a vida vai te cobrar (e que você também cobra da vida, quando você é quem está "do outro lado do balcão"). Não será se livrando da escola que você se livrará disto...
E o que acontece quando a gente não consegue cumprir com o pacto?
Em meu trabalho eu vejo casos disto. Tem, por exemplo, aquele que simplesmente "não está nem aí". Tem aquele que por mais que você tente ensinar, a pessoa não consegue aprender.
Claro que você vai tentar estender uma mão. Vai tentar estimular quem não está muito animado. Vai tentar ensinar ao que tem dificuldades, mas, como tudo, há limites. E quando, por mais que se tente, a pessoa não atende aos requisitos?
O desinteressado vira "café com leite": "deixa fulano fazer o basiquinho dele lá... o que ele sabe é carimbar papel". O outro, vira "coitadinho": "não exige muito que ele se enrola todo... Ele é gente boa, mas é muito burrinho... Coitado...". Ou passa a ser rotulado de débil mental, ou de louco, ou de outro tipo de classificação de gente que não dá pra cobrar muito.
E aí, estas pessoas vão ficar onde estão. Não vão progredir. Na hora das "missões especiais" elas não serão chamadas. Não podem almejar aumentos se salário. Correm mais riscos de serem despedidas. Etc.
Quando eu parar de reclamar que você não guardou a garrafa d'agua de volta na geladeira, é porque eu terei colocado você na categoria de "coitadinho". Que "não adianta... Ele não é capaz de agir diferentemente, por mais que ele tente...". Eu me recuso a colocar você nesta categoria e vou continuar reclamando. Não estarei fazendo bem nenhum a você se eu agir de forma diferente.
- Em todos os nossos relacionamentos estabelecemos pactos. O que um amigo meu chama de "normas de convivência".
Nestes pactos se estabelecem expectativas mínimas. Como, por exemplo: guardar a garrafa de água de volta na geladeira.
Podemos, eventualmente, esquecer de guardá-la, mas isto somente é aceitável quando é eventualmente. Quando isto passa a ser frequente, eu tenho que reclamar sempre que acontece.
Assim como há coisas que não são aceitáveis que aconteçam nenhuma vez, e eu também tenho que reclamar sempre que elas acontecem.
Em meu trabalho, por exemplo, eu tenho que cumprir com certas exigências mínimas. Posso ter feito tudo certo, mas se eu não cumprir com estas tais exigências, o meu trabalho não foi bem feito....
- Mas... pôxa... Não podemos mudar isto?!?! O mundo assim é muito chato!!!
- Como disse, sempre estaremos ligados um pacto. Podemos renegociá-lo. Volta e meia, estamos renegociando nossos pactos. Mas sempre existirão limites. Limites que nós mesmos também exigimos quando os afetados somos nós.
Imagine que você contrate um tradutor, e esse tradutor nunca traduza totalmente bem o textos que você dá a ele. Você não procuraria outro tradutor? Ou, digamos que você contrate um advogado para defender uma causa sua, e esse advogado, com frequência, não compareça às audiências. Você o manteria, ou trocaria por um outro?
- Mas e se o carro do advogado capotar, ou outra coisa grave aconteça?
- Estes são os chamados "motivos de força maior". Nos contratos, que são uma forma clássica de se estabelecerem pactos, sempre existe uma cláusula de força maior. Isto, porque é de entendimento geral que, nestes casos, não podemos julgar os rompimentos do pacto da mesma forma que em condições normais. Então estes casos são tratados diferentemente. Seria desumano se não o fossem.
Pois bem... Você está aprendendo violão. É muito legal isto. Claro que eventualmente, ou frequentemente, você comete erros. Como forma de lazer: maravilha! Mas se você quiser tocar numa banda, você simplesmente não pode errar! Ninguém quer pagar para ouvir uma música tocada mais ou menos. Você pagaria?
Então, se você quer tocar na banda tem que se dedicar muito ao violão. Simplesmente, não há alternativa. Não há como pensar que isto possa ser diferente, não? Esta exigência não é desumana. Simplesmente "é" assim, e eu não vejo como mudar este "pacto".
Na matemática, você pode errar um sinal de menos, mas não deveria levar o ponto completo da questão. Afinal de contas, o jogo é jogado com esta regra. Dá para se equivocar num sinal de menos? Dá... Mas não dá para esquecer o sinal de menos em 40%, 50%, ou mais das questões. Aí, simplesmente não é aceitável.
Quando a escola te cobra isto, ela não está criando um ambiente artificial de "chatices dos estudos". A escola está te cobrando o que a vida vai te cobrar (e que você também cobra da vida, quando você é quem está "do outro lado do balcão"). Não será se livrando da escola que você se livrará disto...
E o que acontece quando a gente não consegue cumprir com o pacto?
Em meu trabalho eu vejo casos disto. Tem, por exemplo, aquele que simplesmente "não está nem aí". Tem aquele que por mais que você tente ensinar, a pessoa não consegue aprender.
Claro que você vai tentar estender uma mão. Vai tentar estimular quem não está muito animado. Vai tentar ensinar ao que tem dificuldades, mas, como tudo, há limites. E quando, por mais que se tente, a pessoa não atende aos requisitos?
O desinteressado vira "café com leite": "deixa fulano fazer o basiquinho dele lá... o que ele sabe é carimbar papel". O outro, vira "coitadinho": "não exige muito que ele se enrola todo... Ele é gente boa, mas é muito burrinho... Coitado...". Ou passa a ser rotulado de débil mental, ou de louco, ou de outro tipo de classificação de gente que não dá pra cobrar muito.
E aí, estas pessoas vão ficar onde estão. Não vão progredir. Na hora das "missões especiais" elas não serão chamadas. Não podem almejar aumentos se salário. Correm mais riscos de serem despedidas. Etc.
Quando eu parar de reclamar que você não guardou a garrafa d'agua de volta na geladeira, é porque eu terei colocado você na categoria de "coitadinho". Que "não adianta... Ele não é capaz de agir diferentemente, por mais que ele tente...". Eu me recuso a colocar você nesta categoria e vou continuar reclamando. Não estarei fazendo bem nenhum a você se eu agir de forma diferente.
(Eu te amo. Te amo muito. Conte comigo, sempre.)
Novos tempos
Sinto pisar em tempos que não são os meus: tempos de outra juventude.
Os lugares ermos de meus tempos, já não são mais. Borbulha, no dia-a-dia, um mar de gente, nas ruas, no metrô, nas praias. Hoje, aprecia-se o por do sol acompanhado por uma multidão.
Vejo, em minha imaginação, os jovens do borbulhante mar de gente, com viço de reproduzir e produzir, a erguer e edificar, o que já são as marcas de seus tempos.
Estas constatações, não se impregnam de nostalgia ou saudades. Sou parte, à minha moda, destes tempos. Ainda participo.
A ênfase da satisfação passou para o nobre ato de passar o bastão, mais do que subir ao pódio, prazer este, que, ainda assim, não deixou de existir.
Sinto muita vontade de cuidar dos filhos de minha geração. Geração, no sentido coletivo e pessoal. Sinto muita vontade de cuidar, e dar mais do que tenho conseguido, à minha mãe também.
Senti falta de colocar tudo isto em palavras e de compartilhá-las.
Os lugares ermos de meus tempos, já não são mais. Borbulha, no dia-a-dia, um mar de gente, nas ruas, no metrô, nas praias. Hoje, aprecia-se o por do sol acompanhado por uma multidão.
Vejo, em minha imaginação, os jovens do borbulhante mar de gente, com viço de reproduzir e produzir, a erguer e edificar, o que já são as marcas de seus tempos.
Estas constatações, não se impregnam de nostalgia ou saudades. Sou parte, à minha moda, destes tempos. Ainda participo.
A ênfase da satisfação passou para o nobre ato de passar o bastão, mais do que subir ao pódio, prazer este, que, ainda assim, não deixou de existir.
Sinto muita vontade de cuidar dos filhos de minha geração. Geração, no sentido coletivo e pessoal. Sinto muita vontade de cuidar, e dar mais do que tenho conseguido, à minha mãe também.
Senti falta de colocar tudo isto em palavras e de compartilhá-las.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Direito ao afeto
Se não está, deveria estar na declaração dos direitos universais do ser humano:
Ninguém tem o direito de colocar obstáculos a manifestações de amor/carinho entre pessoas, principalmente entre as que são unidas por laços familiares.
O direito a manter estes laços familiares, precede a qualquer outro direito.
Gostaria que esta mensagem pudesse chegar:
E por ai vai...
Pense em não ceder este direito supremo seu, caso alguém procure lhe impedir de exercer.
Se, no caso, tratar-se de seu marido ou sua esposa, pense em colocar outro(a) em seu lugar, porque pai, mãe, filho, avô, avó, irmão, irmã, etc. não dá pra trocar!
Ninguém tem o direito de colocar obstáculos a manifestações de amor/carinho entre pessoas, principalmente entre as que são unidas por laços familiares.
O direito a manter estes laços familiares, precede a qualquer outro direito.
Gostaria que esta mensagem pudesse chegar:
- Ao irmão que acha que é só ele quem deve decidir sobre a vida dos pais senis, em detrimento dos outros irmãos.
- Ao cunhado que põe obstáculos a que sua esposa se relacione com algum dos irmãos dela, que ele não gosta.
- Ao marido que não se dispõe a acolher em sua casa, a sogra enferma.
- À mãe que não colabora em promover o contato dos filhos com seu ex-marido.
- À esposa que torce o nariz para a presença dos filhos de outro casamento de seu marido.
E por ai vai...
Pense em não ceder este direito supremo seu, caso alguém procure lhe impedir de exercer.
Se, no caso, tratar-se de seu marido ou sua esposa, pense em colocar outro(a) em seu lugar, porque pai, mãe, filho, avô, avó, irmão, irmã, etc. não dá pra trocar!
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
A paz e os óculos
A paz é como os óculos:
precisamos deles para encontrá-los.
... neste paradoxo
é que reside a grande dificuldade
dos que passam por
momentos fortes de ruptura.
A estes, recebam
meus sentimentos
de solidariedade,
deixando a mensagem:
"vai passar",
"vai passar",
"alguma hora, vai passar".
Acredite!
Isto te dará um pouco
da paz que você
precisa para
encontrar
o restante
da paz.
O pior cego é aquele que acha que vê
Quando estamos mais distantes da possibilidade de aprender?
Eu diria que é "quando acreditamos que já sabemos" (ou quando preferimos acreditar nisto), pois não passa por nossas cabeças nos dedicarmos a aprender algo que já "sabemos"!
Só aprende, quem sabe que não sabe. Quem submete à critica, o que crê saber. Quem suporta conviver com o sentimento da falta de respostas.
Para "os grandes", creio que este conceito faz parte de seus modos de pensar.
Sócrates, aponta nesta direção com o seu: "só sei que nada sei".
Lembro, também, de um livro pequeno e embolorado, capa vermelha, de meu avô paterno, que caiu em minhas mãos: "Minha Philosophia da Industria", de Henry Ford.
Neste livro, entre outras coisas, Ford, falava que quando um de seus gerentes lhe apresentava algum aperfeiçoamento do qual o tal gerente se orgulhava, quanto mais ele se orgulhava, mais Ford se punha preocupado.
Ford temia que o apreço do gerente às suas próprias (e maravilhosas) ideias pudesse fazê-lo "cegar", e o tornasse reativo a críticas e às possibilidades de aperfeiçoamento.
Muitas vezes, preferimos a paz e o conforto das certezas, porque, do contrário, perdemos o chão. Nos sentimos vulneráveis e com uma sensação de perigo. Ou, simplesmente, porque não queremos nos complicar a vida, sendo mais fácil colocar a pedra da conclusão em cima do buraco da incerteza.
Ressalvo, que não falo somente do saber, digamos, "científico", mas qualquer saber. Aplico estas considerações a, por exemplo, ao julgamento que fazemos dos outros. A ressalva desta ressalva é que usei o termo "científico" na sua acepção mais comum, o das ciências exatas, mas, qualquer saber para ser um saber deve ser científico. Mas não quero me alongar neste aspecto...
O que torna as coisas ainda piores para nós, seres temerosos de enigmas, talvez por nos fazerem recordar o maior deles, que é o enigma da morte, é que quanto mais inflamos o balão do saber, mais aumentamos nossa superfície de contato com a ignorância.
O que eu queria apontar, é que para crescermos, temos que conseguir lidar com as frustrações do vazio da falta de respostas.
Imagino que quem ascende a altos postos em uma empresa, tem que ser de um tipo de personalidade que saiba lidar com isto. Quanto mais alto o cargo, menos respostas para tudo a pessoa tem, ao mesmo tempo, tem que saber conviver com a frustração de não conseguir resolver todos os problemas que se lhe apresentam.
Poderia falar mais, mas acho que já falei o suficiente sobre a essência destes pensamentos. Termino propondo reformar o dito para:
Assim que acabei de publicar este texto, encontrei no facebook a seguinte citação, lá publicada por Adriano Lima:
"Os Irmãos Karamazov”de Dotoiévsksi, trecho de o “Grande Inquisidor”.
Eu diria que é "quando acreditamos que já sabemos" (ou quando preferimos acreditar nisto), pois não passa por nossas cabeças nos dedicarmos a aprender algo que já "sabemos"!
Só aprende, quem sabe que não sabe. Quem submete à critica, o que crê saber. Quem suporta conviver com o sentimento da falta de respostas.
Para "os grandes", creio que este conceito faz parte de seus modos de pensar.
Sócrates, aponta nesta direção com o seu: "só sei que nada sei".
Lembro, também, de um livro pequeno e embolorado, capa vermelha, de meu avô paterno, que caiu em minhas mãos: "Minha Philosophia da Industria", de Henry Ford.
Neste livro, entre outras coisas, Ford, falava que quando um de seus gerentes lhe apresentava algum aperfeiçoamento do qual o tal gerente se orgulhava, quanto mais ele se orgulhava, mais Ford se punha preocupado.
Ford temia que o apreço do gerente às suas próprias (e maravilhosas) ideias pudesse fazê-lo "cegar", e o tornasse reativo a críticas e às possibilidades de aperfeiçoamento.
Muitas vezes, preferimos a paz e o conforto das certezas, porque, do contrário, perdemos o chão. Nos sentimos vulneráveis e com uma sensação de perigo. Ou, simplesmente, porque não queremos nos complicar a vida, sendo mais fácil colocar a pedra da conclusão em cima do buraco da incerteza.
Ressalvo, que não falo somente do saber, digamos, "científico", mas qualquer saber. Aplico estas considerações a, por exemplo, ao julgamento que fazemos dos outros. A ressalva desta ressalva é que usei o termo "científico" na sua acepção mais comum, o das ciências exatas, mas, qualquer saber para ser um saber deve ser científico. Mas não quero me alongar neste aspecto...
O que torna as coisas ainda piores para nós, seres temerosos de enigmas, talvez por nos fazerem recordar o maior deles, que é o enigma da morte, é que quanto mais inflamos o balão do saber, mais aumentamos nossa superfície de contato com a ignorância.
O que eu queria apontar, é que para crescermos, temos que conseguir lidar com as frustrações do vazio da falta de respostas.
Imagino que quem ascende a altos postos em uma empresa, tem que ser de um tipo de personalidade que saiba lidar com isto. Quanto mais alto o cargo, menos respostas para tudo a pessoa tem, ao mesmo tempo, tem que saber conviver com a frustração de não conseguir resolver todos os problemas que se lhe apresentam.
Poderia falar mais, mas acho que já falei o suficiente sobre a essência destes pensamentos. Termino propondo reformar o dito para:
"O pior cego é aquele que acha que vê"
(sem, com isto, querer aliviar a barra daquele que é cego por não querer ver).
Assim que acabei de publicar este texto, encontrei no facebook a seguinte citação, lá publicada por Adriano Lima:
"Os Irmãos Karamazov”de Dotoiévsksi, trecho de o “Grande Inquisidor”.
“Somos assim: sonhamos o voo mas tememos a altura. Para voar é preciso
ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o
voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas.
Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo
por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde onde as certezas moram."
Obrigado, Adriano.
domingo, 27 de outubro de 2013
sábado, 26 de outubro de 2013
Vou contar o que se passou
Vou contar o que "se passou"...
Curti muito ter sido exposto ao espanhol por ter vivido uns dois anos
e algo na Venezuela.
Um amigo das bandas de lá, que veio morar aqui, diz que: "quanto mais
aprendo o português, mais aprendo o espanhol". Confirmo que o
vice-versa se aplica.
Muitas palavras usadas no espanhol cotidiano, são também palavras do
português, mas esquecidas e não usadas. Frequentemente, fazem parte do
português, digamos, erudito.
Mas a irmandade das duas línguas caprichosamente também se revela,
escondida em palavras de uso comum, e que juramos de pés junto que não
têm o mesmo sentido que o do espanhol. Vamos a alguns exemplos.
"Taça", a de tomar vinho, é "copa", em espanhol, e "tasa", em
espanhol, é "xícara".
"Copa", em português, é uma das dependências de uma casa, onde
trabalhava a copeira. Que, pelo que soa o nome, parece (estranhamente)
que era a responsável por cuidar dos copos da casa.
Pois bem... Só que, em ambas as línguas, "taça" ou "tasa", são o mesmo
que "copa", quando falamos de campeonatos: "taça libertadores da
América" e "copa do mundo".
Nestes casos, "mundo" não é uma casa, e quem ganha a libertadores não
leva uma xícara!
"Pegar" em espanhol, tanto pode significar "bater", quanto pode ser "colar".
Eu dizia que, em português, não se usa esta palavra com nenhum destes
sentidos. Mas, não tem "uma casa pegada na outra"? Já não ouvimos
"ainda pego este menino levado"? Eu só ouvi isto quando alguém tem
vontade de dar umas palmadas no garoto, e quando as casas eram coladas umas nas outras.
Quando fui fazer exames de sangue lá, foi que eu ouvi a palavra
"ayuno", porque eu tinha que ir em "jejum". Foi ai que entendi o
"desayuno", onde o prefixo "des", entra para deixar claro que no café
da manhã saímos da condição de jejum. Quando entendi isto, passei a
achar "desayuno" uma palavra estranha...
Mas depois me dei conta que "quem inventou a língua da maneira que
falamos hoje", também não gostou, e trocou o nosso desjejum, pelo cafe
da manhã!
Os ingleses seguem o pensamento espanhol, com os seus "breakfast", porque "fast" é jejum, e "break" é quebrar. Que coisa, não...?!
Outra coisa estranha é que "blanco" também signifique: meta, alvo, em
espanhol. Além de ser o nome da cor. Tanto, que o esporte é o "tiro al
blanco".
Quando ouvi "tiro al blanco" foi que me caiu a ficha... Também falamos
"tiro ao branco" em português. Só, que mudamos "branco" por "alvo",
que é uma outra palavra que temos para esta cor. E, não é...? Eu, sendo
botafoguense, sou alvi-negro! Tem também o "alvejante", que deixa as
roupas alvas, ou, brancas.
Desvendado este mistério, ficou um gato na tuba: eu sempre achei que a
bolota do alvo era preta. Será que é porque eu nunca pratiquei o
esporte?
Vai mais?
Tem o "estou a ponto de bala". E que diabo de "bala" é esta? A de algum
revólver pronto para atirar?
Isto, dito em espanhol seria: "estoy a punto de caramelo", e adivinhem...
"Caramelo" em espanhol significa "bala" (a de chupar), em português.
O "ponto de bala" é uma expressão da culinária. Refere-se a um estado
em que fica o açúcar, quando aquecido. Imagino que seja num ponto que,
com ele se, possa fazer balas (de caramelo, por supuesto).
Tem "la leche cortada", que é o nosso "leite talhado". Talhar = cortar.
E pra fechar, eu ia dizer que eles dizem "qué pasó?" para perguntar "o
que aconteceu?", e ia dizer também que "passar", nunca, em português,
significa "acontecer", mas como eu já contei o que se passou na
Venezuela, não preciso falar mais nada.
Curti muito ter sido exposto ao espanhol por ter vivido uns dois anos
e algo na Venezuela.
Um amigo das bandas de lá, que veio morar aqui, diz que: "quanto mais
aprendo o português, mais aprendo o espanhol". Confirmo que o
vice-versa se aplica.
Muitas palavras usadas no espanhol cotidiano, são também palavras do
português, mas esquecidas e não usadas. Frequentemente, fazem parte do
português, digamos, erudito.
Mas a irmandade das duas línguas caprichosamente também se revela,
escondida em palavras de uso comum, e que juramos de pés junto que não
têm o mesmo sentido que o do espanhol. Vamos a alguns exemplos.
"Taça", a de tomar vinho, é "copa", em espanhol, e "tasa", em
espanhol, é "xícara".
"Copa", em português, é uma das dependências de uma casa, onde
trabalhava a copeira. Que, pelo que soa o nome, parece (estranhamente)
que era a responsável por cuidar dos copos da casa.
Pois bem... Só que, em ambas as línguas, "taça" ou "tasa", são o mesmo
que "copa", quando falamos de campeonatos: "taça libertadores da
América" e "copa do mundo".
Nestes casos, "mundo" não é uma casa, e quem ganha a libertadores não
leva uma xícara!
"Pegar" em espanhol, tanto pode significar "bater", quanto pode ser "colar".
Eu dizia que, em português, não se usa esta palavra com nenhum destes
sentidos. Mas, não tem "uma casa pegada na outra"? Já não ouvimos
"ainda pego este menino levado"? Eu só ouvi isto quando alguém tem
vontade de dar umas palmadas no garoto, e quando as casas eram coladas umas nas outras.
Quando fui fazer exames de sangue lá, foi que eu ouvi a palavra
"ayuno", porque eu tinha que ir em "jejum". Foi ai que entendi o
"desayuno", onde o prefixo "des", entra para deixar claro que no café
da manhã saímos da condição de jejum. Quando entendi isto, passei a
achar "desayuno" uma palavra estranha...
Mas depois me dei conta que "quem inventou a língua da maneira que
falamos hoje", também não gostou, e trocou o nosso desjejum, pelo cafe
da manhã!
Os ingleses seguem o pensamento espanhol, com os seus "breakfast", porque "fast" é jejum, e "break" é quebrar. Que coisa, não...?!
Outra coisa estranha é que "blanco" também signifique: meta, alvo, em
espanhol. Além de ser o nome da cor. Tanto, que o esporte é o "tiro al
blanco".
Quando ouvi "tiro al blanco" foi que me caiu a ficha... Também falamos
"tiro ao branco" em português. Só, que mudamos "branco" por "alvo",
que é uma outra palavra que temos para esta cor. E, não é...? Eu, sendo
botafoguense, sou alvi-negro! Tem também o "alvejante", que deixa as
roupas alvas, ou, brancas.
Desvendado este mistério, ficou um gato na tuba: eu sempre achei que a
bolota do alvo era preta. Será que é porque eu nunca pratiquei o
esporte?
Vai mais?
Tem o "estou a ponto de bala". E que diabo de "bala" é esta? A de algum
revólver pronto para atirar?
Isto, dito em espanhol seria: "estoy a punto de caramelo", e adivinhem...
"Caramelo" em espanhol significa "bala" (a de chupar), em português.
O "ponto de bala" é uma expressão da culinária. Refere-se a um estado
em que fica o açúcar, quando aquecido. Imagino que seja num ponto que,
com ele se, possa fazer balas (de caramelo, por supuesto).
Tem "la leche cortada", que é o nosso "leite talhado". Talhar = cortar.
E pra fechar, eu ia dizer que eles dizem "qué pasó?" para perguntar "o
que aconteceu?", e ia dizer também que "passar", nunca, em português,
significa "acontecer", mas como eu já contei o que se passou na
Venezuela, não preciso falar mais nada.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Somos todos iguais e somos todos diferentes
Todos somos iguais e somos todos diferentes. Todos temos dois olhos, um nariz e uma boca, mas não existem dois rostos iguais.
Assim somos por dentro: essencialmente iguais, mas peculiarmente diferentes. Em outras palavras, somos manifestações diferentes de uma mesma essência.
O que nos faz bonitos por dentro, é algo parecido ao que fazemos para
ficarmos bonitos por fora: a busca por transcender ao que nos foi legado.
O corpo com o qual nascemos é um legado que nos coube. Os cuidados que tomamos com ele, poderão nos tornar mais bonitos, ou não.
Por dentro, também recebemos um legado: um legado genético, um legado de formação, etc. o que nos dá a "nossa cara", por dentro.
Não acho justo sermos cobrados a que transcendamos ao legado. Afinal, temos boas razões para sermos como somos.
Acho justo que sejamos cobrados por havermos tentado, e não somente nos justificados com base no legado.
Me encanta ver pessoas como Marina Silva, a da política, que vivia do meio do mato e que aos 16 anos ainda era analfabeta.
Somente as "boas razões para sermos o que somos" não nos justifica, se não houvermos tentado ser diferente.
Quando passamos a mão na cabeça dos que não buscam, criamos um ambiente artificial que só os prejudica, pois é arcando com as consequências de nossos atos, que temos a oportunidade de crescer.
Quando cobramos dos que não conseguem, estamos sendo cruéis, afinal, o que podemos exigir do outro, senão o melhor que o outro tem a dar?
Na vida, só existe uma paz que dependa exclusivamente de nós: a paz de termos feito o nosso melhor.
Talvez a única a se almejar...
Assim somos por dentro: essencialmente iguais, mas peculiarmente diferentes. Em outras palavras, somos manifestações diferentes de uma mesma essência.
O que nos faz bonitos por dentro, é algo parecido ao que fazemos para
ficarmos bonitos por fora: a busca por transcender ao que nos foi legado.
O corpo com o qual nascemos é um legado que nos coube. Os cuidados que tomamos com ele, poderão nos tornar mais bonitos, ou não.
Por dentro, também recebemos um legado: um legado genético, um legado de formação, etc. o que nos dá a "nossa cara", por dentro.
Não acho justo sermos cobrados a que transcendamos ao legado. Afinal, temos boas razões para sermos como somos.
Acho justo que sejamos cobrados por havermos tentado, e não somente nos justificados com base no legado.
Me encanta ver pessoas como Marina Silva, a da política, que vivia do meio do mato e que aos 16 anos ainda era analfabeta.
Somente as "boas razões para sermos o que somos" não nos justifica, se não houvermos tentado ser diferente.
Quando passamos a mão na cabeça dos que não buscam, criamos um ambiente artificial que só os prejudica, pois é arcando com as consequências de nossos atos, que temos a oportunidade de crescer.
Quando cobramos dos que não conseguem, estamos sendo cruéis, afinal, o que podemos exigir do outro, senão o melhor que o outro tem a dar?
Na vida, só existe uma paz que dependa exclusivamente de nós: a paz de termos feito o nosso melhor.
Talvez a única a se almejar...
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Tolerância
Ouvi de Max Gehringer na rádio CBN:
"Ser compreensivo com os outros é uma questão de reciprocidade. Às vezes, 'os outros', somos nós".
"Ser compreensivo com os outros é uma questão de reciprocidade. Às vezes, 'os outros', somos nós".
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Muito bom poder escutar eu mesmo, o que tenho escrito aqui.
Nunca somente falamos para o outro. Falamos também para nós mesmos.
Nunca somente escutamos o outro. O que o outro fala, diz de nós
mesmos.
Especialmente, quando se tratam de coisas importantes da vida.
E assim, por "falar" aqui, aconteceu de eu mesmo revigorar crenças e
condutas, que eu mesmo deixava, inconscientemente, de lado.
Nunca somente falamos para o outro. Falamos também para nós mesmos.
Nunca somente escutamos o outro. O que o outro fala, diz de nós
mesmos.
Especialmente, quando se tratam de coisas importantes da vida.
E assim, por "falar" aqui, aconteceu de eu mesmo revigorar crenças e
condutas, que eu mesmo deixava, inconscientemente, de lado.
Gesto de grandeza
Para pedir o gesto de grandeza do perdão, ofereça outro: peça desculpas.
Não fique esperando o tempo passar, na expectativa de que a mágoa se desvaneça.
Não fique esperando o tempo passar, na expectativa de que a mágoa se desvaneça.
Sem título
Sem
querer disseminar rancores e amargores (não quero entrar nesta onda): Eu
descobri que muito frequentemente as pessoas não gostam de ser tratadas
como elas me tratam.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Quando eu morrer
Quando eu morrer
Quando eu morrer, não quero que me chorem diante de uma mórbida caixa de cabelo e ossos, que nem se sabe se está ali, ou não.
Que tal se deixássemos o que não interessa num canto qualquer, e no lugar dos sepulcros colocássemos placas (de plástico para que resistam ao tempo – é o que dizem os ecologistas – com o benefício colateral de fornecermos prova "viva" a esta causa) ...
Que tal se deixássemos o que não interessa num canto qualquer, e no lugar dos sepulcros colocássemos placas (de plástico para que resistam ao tempo – é o que dizem os ecologistas – com o benefício colateral de fornecermos prova "viva" a esta causa) ...
Bem..., placas com qualquer
coisa escrita que "o morto" desejasse? Um pensamento, uma
filosofia de vida (própria ou emprestada de alguém), um conselho aos que
ficaram, ou aos que começam, ou aos que estão prestes a terminar? Uma
poesia, elogios, um canto de amor, um de louvor? Uma prece? Uma
reclamação, um protesto, uma foto (de uma festa?)? De preferência uma
mensagem, qualquer que seja..., diante da qual o morto desejasse que quem
quisesse reverenciar sua memória estivesse.
Seria muito mais leve, e ao mesmo tempo mais profundo, o reverenciar a memória dos que já partiram. Muito melhor do que diante da presunção da existência de uma caixa de ossos e cabelos.
Imagine como seria "passear" pelos cemitérios...! Eles se transformariam em local de alta concentração de vida, e de reabastecimento da alma...! Quantos ensinamentos...! Quanta experiência de vida...! O quanto a se confrontar com as questões de nossas próprias vidas...
Se a vida não pudesse ser melhor por isto, talvez o mundo fosse substancialmente melhor pelo simples fato de cada um de nós ter que parar, por um momento que seja, para pensar o que gostaria que fosse escrito na sua "placa-jazigo". (Você já pensou na sua? Talvez seja este o maior empecilho à idéia: superar a dificuldade de estar face a face consigo mesmo, e conceber algo que possa ser significativo de sua própria existência.)
E se ao invés de um árido varal de placas ao tempo (em todos os sentidos da expressão), simulacro do despejo imobiliário de nossos restos, colocássemos estas placas diante de árvores? E se estas árvores estivessem na cidade por toda a parte??? Cada um poderia plantar a sua própria árvore, ou melhor, no dia que cada um nascesse, que alguém o fizesse para que simbolizasse nossa própria vida e fosse o local destinado à nossa mensagem de vida e a reverência de nossa memória.
Imagine como seria passear pelas cidades!
Se a vida não pudesse ser melhor por isto, pelo menos as cidades seriam muito mais agradáveis: muito verde, muita sombra...
Imagino-me... podando a árvore do papai... pendurando um balanço na árvore da mamãe, para que eu pudesse me embalar e embalar meus filhos... ou refrescar-me em suas sombras, sentado num banquinho feito da madeira do bivô que não resistiu à tempestade passada... Seriam ritos muito fortes. Mesclas de ser e não ser muito eloqüentes do que as coisas são.
Bem, se fizéssemos as coisas assim, talvez eu não perdesse tempo requentando a filosofia de outros, e tivesse lido ontem numa árvore a caminho de algum lugar, que o importante da na vida é ter filhos, plantar uma árvore e escrever um livro.
Seria muito mais leve, e ao mesmo tempo mais profundo, o reverenciar a memória dos que já partiram. Muito melhor do que diante da presunção da existência de uma caixa de ossos e cabelos.
Imagine como seria "passear" pelos cemitérios...! Eles se transformariam em local de alta concentração de vida, e de reabastecimento da alma...! Quantos ensinamentos...! Quanta experiência de vida...! O quanto a se confrontar com as questões de nossas próprias vidas...
Se a vida não pudesse ser melhor por isto, talvez o mundo fosse substancialmente melhor pelo simples fato de cada um de nós ter que parar, por um momento que seja, para pensar o que gostaria que fosse escrito na sua "placa-jazigo". (Você já pensou na sua? Talvez seja este o maior empecilho à idéia: superar a dificuldade de estar face a face consigo mesmo, e conceber algo que possa ser significativo de sua própria existência.)
E se ao invés de um árido varal de placas ao tempo (em todos os sentidos da expressão), simulacro do despejo imobiliário de nossos restos, colocássemos estas placas diante de árvores? E se estas árvores estivessem na cidade por toda a parte??? Cada um poderia plantar a sua própria árvore, ou melhor, no dia que cada um nascesse, que alguém o fizesse para que simbolizasse nossa própria vida e fosse o local destinado à nossa mensagem de vida e a reverência de nossa memória.
Imagine como seria passear pelas cidades!
Se a vida não pudesse ser melhor por isto, pelo menos as cidades seriam muito mais agradáveis: muito verde, muita sombra...
Imagino-me... podando a árvore do papai... pendurando um balanço na árvore da mamãe, para que eu pudesse me embalar e embalar meus filhos... ou refrescar-me em suas sombras, sentado num banquinho feito da madeira do bivô que não resistiu à tempestade passada... Seriam ritos muito fortes. Mesclas de ser e não ser muito eloqüentes do que as coisas são.
Bem, se fizéssemos as coisas assim, talvez eu não perdesse tempo requentando a filosofia de outros, e tivesse lido ontem numa árvore a caminho de algum lugar, que o importante da na vida é ter filhos, plantar uma árvore e escrever um livro.
Você poderia fazer pipi por mim?
Aproveitando que você vai ao banheiro, você poderia fazer pipi por mim?
Estou achando que preciso falar mais do termo "sozinhez" que menciono no post anterior (que se fosse em inglês, talvez eu dissesse "onlyness").
O termo não tem nada a ver com tristeza (ou não). Nada tem a ver com solidão (ou não).
No popular...: sozinhez tem mais a ver com "fazer o número 1" ou "fazer o número 2". Ou seja, tem a ver com as coisas que só você pode fazer por você e que você não pode fazer pelos outros.
Às vezes, ficamos esperando que o outro faça por nós, ou, queremos fazer algo pelo outro, e não nos damos conta que estamos fazendo o equivalente a pedir: "você poderia ir ao banheiro por mim?".
Claro, que nunca deixando de lado a solidariedade de ajudar ao outro a achar um banheiro quando o outro esta "apertado" e sem deixar de ir ao banheiro por que o outro não está com vontade de fazer pipi....
(Antes de ler este, leia o post que publiquei antes deste)
O termo não tem nada a ver com tristeza (ou não). Nada tem a ver com solidão (ou não).
No popular...: sozinhez tem mais a ver com "fazer o número 1" ou "fazer o número 2". Ou seja, tem a ver com as coisas que só você pode fazer por você e que você não pode fazer pelos outros.
Às vezes, ficamos esperando que o outro faça por nós, ou, queremos fazer algo pelo outro, e não nos damos conta que estamos fazendo o equivalente a pedir: "você poderia ir ao banheiro por mim?".
Claro, que nunca deixando de lado a solidariedade de ajudar ao outro a achar um banheiro quando o outro esta "apertado" e sem deixar de ir ao banheiro por que o outro não está com vontade de fazer pipi....
Cada um vive a sua vida
Quem vive a sua vida é somente você, e você vive somente a sua vida.
Devemos reconhecer a "sozinhez"* e a responsabilidade que a primeira parte desta afirmação traz e saber apaziguar o sentimento de impotência pelo reconhecimento da segunda.
* Tive que criar esta palavra porque a mais próxima que eu encontrei foi "solidão", que não expressa o que queria dizer.
Devemos reconhecer a "sozinhez"* e a responsabilidade que a primeira parte desta afirmação traz e saber apaziguar o sentimento de impotência pelo reconhecimento da segunda.
* Tive que criar esta palavra porque a mais próxima que eu encontrei foi "solidão", que não expressa o que queria dizer.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Pitagoras
Pitágoras
Fiquei maravilhado com a simplicidade genial de como se prova o teorema de Pitágoras, coisa que demorei meio século a vir a conhecer.
Bem... ai vai a demonstração:
Construo dois quadrados de lado a+b, só que segmento os lados de cada um deles de maneira distinta:
Vemos que os segmentos "a" e "b", assim ligados, formam um triângulo retângulo.
Vemos também que no quadrado da direita, o pontilhado interno forma um quadrado de lado "c".
Agora veja as áreas hachuradas na figura abaixo.
Como a área dos dois quadrados originais era a mesma e eu retirei 4 triângulos iguais dos dois quadrados, então, a área do que sobrou deles é igual:
a*a + b*b = c*c
Pitágoras, você merece que a sua fama perdure por milênios!
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Quando cuido...
Quando cuido da minha família, eu estou cuidando de mim.
Quando cuido do meu casamento, eu estou cuidando de mim.
Quando cuido dos meus amigos, eu estou cuidando de mim.
Quando cuido do meu trabalho, eu estou cuidando de mim.
Quando cuido da natureza, eu estou cuidando de mim.
Quando cuido do próximo, eu estou cuidando de mim.
Quando não cuido, perco o que poderia haver ganhado, e, muitas vezes, nem conta disto me dou.
Quando cuido de mim, cuido de tudo isto que está ao meu redor.
Não vemos o que não concebemos
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