segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Pais e filhos

Se os soltamos, foi que não cuidamos.
Se prendemos, foi que os sufocamos.
Se os orientamos, impomos verdades ultrapassadas.
Se deixamos que descubram suas próprias verdades, foi que faltou diálogo e orientação.
Se erramos como pais?
Sim! Seguramente TODOS erramos.
Mas não são de nossos erros que eles reclamam. As reclamações são apenas ecos de uma relação intensa de amor e ódio, como em qualquer relação intensa.
Muitos desejos, muita idealização (própria de qualquer bom desejo) e como não poderia deixar de vir em consequência, muita frustração e raiva. Raiva que não nega o imenso amor origem dessa própria raiva.
Pelos nossos erros, sim, devemos desculpas.
Pelo que eles reclamam, esperemos que amadureçam e deixem de desejar super-heróis e reconheçam a relação de seres (limitadamente) humanos.
Ao nos pacificarmos com ver o que eles reclamam desta maneira, paremos e pensemos o que NÓS ainda reclamamos de nossos próprios pais.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Quem será que sou eu?


Eu sou seu filho e sou seu pai.
Ele me gestou e ele se agita, ri, e chora ainda dentro de mim.


Freud me disse que somos um edifício em cima do outro, como debaixo da Roma de hoje estão as ruínas da Roma antiga, e disse também que eu nunca o esquecerei, ainda que não consiga recordar.

Quem será que sou eu...?

sábado, 1 de julho de 2017

Enquanto dormias

Todas as noites, enquanto dormias, em pensamento sussurrava em teu ouvido buscando despertar em ti os sonhos que, desperta, renuias.

Anseio que um dia despertes para sonhar contigo, em vigília, mais sonhos que os sonhos que a ti sussurrei em pensamento enquanto dormias.

30/06/2017

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Um louco nas ruas

Hoje saí a caminhar, fazendo-me do louco que eu deveria ter sido, mas não me permiti.
Sai praguejando.
Falando alto.
Avergonhadamente louco, porque não seria capaz de fazê-lo se alguém me estivesse vendo.
Disse desaforos.
Respondi o que eu nunca havia respondido.
Lembrei-me de dores e desamores.

Ocorreu-me que a sanidade corre pelo vale da solidão.
Se é que não o tem como destino.

31/05/2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Bom dia

Entra no elevador uma mulher. Ela diz em tom firme, quase militar: "BOM DIA!". Eu, imerso em meus pensamentos, desta vez não respondo. Uma outra mulher ao fundo, sim.
Logo depois o elevador, que subia, para em um andar. Ao abrir a porta uma senhora pergunta: "Desce?".
Ninguém se importa em responder. Eu respondo: "Sobe".
O quê, de bom, fez aquela mulher ao dar "bom dia"? Digo "dar", porque não foi "desejar", a sua intenção. Aparentemente, seu único desejo era ser respondida.
Odeio a aparência de educação da etiqueta burocrática. Esta etiqueta que frequentemente se coloca no lugar da da real educação. A educação, que em meu modo de ver, é cortesia, é respeito ao próximo, é solidariedade, é bem querer pelo seu semelhante.
Educação, para mim é ajudar à senhora que precisava saber se o elevador estava descendo, ou não.
Esta inversão de valores eu vejo também quando se dá bom dia, interrompendo a conversa das pessoas, ou dispersando alguém que esteja concentrado em algo. Isto não me parece educado.
Mas, infelizmente, este é o comportamento que as maioria das pessoas de nossa cultura, esperam. Portanto passa a ser grosseiro não o fazer. Infelizmente.
Eu vou gostar muito de receber um bom dia, quando for uma expressão de carinho. Vou retribuir com muita satisfação.
Quando o bom dia for destas manifestações burocráticas de etiqueta, também retribuirei. Não quero ferir aos que precisam disto, por real educação, por bem querer ao meu semelhante.
Bom dia a todos!
... mas um BOM DIA, de verdade.

23/07/2015

Fria homenagem

Quero prestar uma justa homenagem a um ser muito importante na minha vida. A quem sempre recorro nos momentos de ansiedade e tristeza.
Ela, que nunca me faltou. Que sempre esteve lá quando precisei.
Fechada, sempre, mas todas as vezes que a ela recorri, a porta se abriu e uma luz me iluminou.
Por me apoiar em todos os momentos difíceis de minha vida, quero vir a público agradecer.
Obrigado geladeira!
Muito obrigado!

12/10/2016

Fuga

A fuga é o instrumento mais seguro para se cair prisioneiro daquilo que se deseja evitar. 
(Freud)