terça-feira, 11 de outubro de 2016

Limpo

Mais um pouco adiante, tocarei nos 60 anos de idade. Menciono os 60 para arredondar. Não sei se chegarei lá. Nunca se sabe...

Estava deitado para dormir e os pensamentos vieram e me fizeram pegar o celular para escrever.

Estava pensando que nas alturas desses quase sessenta, se eu fosse falar de coisas feias que vivi, não teria muito o que falar de coisas feias que saíram de meu coração.

(Digo "não teria muito" por medo de parecer soberbo pois a vontade é de dizer "nada" ao invés de "muito". Pronto... Falei!)

As coisas feias que vivi entraram em meu coração pelos meus olhos e pelos meus ouvidos. Coisas que a mim foram ditas. Coisas que vi outros fazerem.

Não estou pensando em coisas feias de que somos capazes inadvertidamente. Estou pensando em atos conscientes.

Felizmente, sinto que não me sujei na caminhada. Julgo que, ao partir para a próxima, partirei limpo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

Julgamento alheio

Que poder e que direito damos aos outros para julgarem as nossas vidas?

Não há como esquivar-se.... Por tão somente existirmos estamos inexoravelmente expostos à imbecilidade dos julgamentos alheios.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Nós e nossos pais

Temos todos, para o nosso próprio bem, que perdoar nossos pais por serem humanos e por tudo mais que decorre desta precária condição.

sábado, 4 de julho de 2015

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Por ser homem

Por ser homem

Eu, por ser homem, é que me lanço nos mistérios do seu agrado, do seu prazer, frente às incertezas de suas pernas abertas e do seu corpo nu.

A tentativa requer, inexorável, a certeza do meu pênis rijo. O direito do ensaio, de mim, requer a certeza do aplauso, cuja dúvida toda possibilidade desfaz.

As alternativas se esvaem frente ao que eu mesmo pensarei de mim, quando, se mesmo placidamente admissível fosse, não sustentasse o falo duro, e duro o suficiente.

A ignorância frente aos mistérios próprios de cada ser, não me exime, e talvez nem me escuse, da responsabilidade do ritmo, da intensidade, da sequência dos atos.

No conforto passivo, que não requer mais do que um pouco de saliva em caso de não estar lubrificada, passo a ser eu, para você também, um pênis a um corpo pregado. Não requer carícias ao corpo ao qual o pênis se prega. Não requer uma fala que estimule. Não cabe um pedido (pode ter efeito contrário!!!). Não. Somente basta-lhe o grande mérito das pernas abertas e do seu corpo nu, em consentimento conversível em mostra de desejo.

Na dúvida, que toda responsabilidade traz, bem sucedo quando opto por interpretar-lhe desejo, e não consentimento, ainda que seja através da ótica solitária do meu próprio desejo.

E, se quebrando a lógica matemática da incondicionalidade masculina, a mim qualquer dificuldade se interpõe, isenta do ocorrido, lhe cabe ignorar gentilmente, para que o curso natural dos papéis estabelecidos se retome mais adiante.

Eu como, e você é servida...

Rio de Janeiro, 10 de maio de 2005